CROSP Araraquara: 11.004 - Dr. João R. Gonçalves CRORT 29.221 - CROSP São Carlos: 16.033 - Dr Luciano Rezende da Cunha CRORT 86422
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Os olhos podem ser a janela da alma, mas a boca permite uma visão ainda mais ampla do corpo como um todo.

Alguns dos primeiros indícios de diabete, câncer, gravidez, doenças autoimunes, desequilíbrios hormonais e abuso de drogas são evidentes na gengiva, nos dentes e na língua – às vezes muito antes de o paciente saber que há algo errado.

Também há indícios crescentes de que problemas de saúde bucal, especialmente doenças na gengiva, podem prejudicar a saúde geral do paciente, aumentando o risco de diabete, doença cardíaca, pneumonia e complicações na gravidez.

“Temos muitos dados que mostram uma correlação direta entre inflamação na boca e inflamação no corpo”, diz Anthony Iacopino, diretor do Centro Internacional de Saúde Oral-Sistêmica, criado pela Faculdade de Odontologia da Universidade de Manitoba, Canadá, em 2008. Estudos recentes também mostram que tratar os problemas na gengiva melhora a circulação, reduz a inflamação e pode até diminuir a necessidade de insulina nos pacientes com diabete.

“É uma oportunidade para dizer ao paciente, ‘Veja bem, estou preocupado. Acho que você realmente precisa consultar um médico’, para que possa melhorar sua saúde”, afirma a principal pesquisadora do estudo, Shiela Strauss, codiretora de estatística e gerenciamento de dados das faculdades de Enfermagem e Odontologia da Universidade New York.

George Kivowitz, dentista restaurador com consultórios em Nova York e em Newtown, na Pensilvânia, diz que descobriu sete casos de câncer em 32 anos de carreira, e até de bulimia, devido à erosão suspeita do esmalte da parte de trás dos dentes frontais superiores, e também já identificou casos de vício em meta-anfetamina. “Chamamos de ‘boca de meta-anfetamina”, diz. “A superfície do dente simplesmente apodrece de um jeito extremamente peculiar.”

Alguns dos problemas mais distintos vêm da diabete descontrolada, acrescenta Kivowitz. “O tecido da gengiva tem um aspecto lustroso e brilhante no ponto em que encontra o dente. Ela sangra com facilidade e se afasta do osso – na boca inteira.”

Segundo os especialistas, as doenças na gengiva e o excesso de açúcar no sangue estão ligados a um mesmo estilo de vida e a existência de um problema pode ser exacerbada pela presença do outro. A inflamação das gengivas infectadas dificulta que as pessoas com diabete controlem o nível de açúcar no sangue, e a hiperglicemia acelera o apodrecimento dos dentes e as doenças na gengiva, criando ainda mais inflamação.

Também há indícios crescentes de que a ligação entre as doenças dentais e problemas cardiovasculares também não é coincidência. A inflamação da gengiva eleva a proteína C-reativa, considerada uma das causadoras de problemas cardíacos.

“Eles encontraram bactérias de origem bucal nas placas que bloqueiam as arteiras. Passou de um relacionamento casual para um fator de risco”, diz Mark Wolff, presidente do Departamento de Cardiologia da Faculdade de Odontologia da Universidade New York.

As bactérias bucais podem viajar pela corrente sanguínea e causar problemas em outros lugares, o que motiva a recomendação de fazer primeiro o tratamento dentário necessário antes de qualquer cirurgia opcional na boca.

A Associação Americana de Cardiologia não recomenda mais que as pessoas com prolapso da válvula mitral (em que as válvulas do coração se fecham de maneira anormal durante as batidas) tomem antibióticos rotineiramente antes de realizar procedimentos dentários, já que se acredita agora que as bactérias bucais entram na corrente sanguínea o tempo todo, seja na escovação, no exangue habitual ou na mastigação dos alimentos.

Mas a Associação Americana do Coração, a Associação Americana de Medicina e a Associação Americana de Ortopedia todas recomendam que pessoas que receberam próteses de junta tomem um antibiótico uma hora antes de qualquer visita ao dentista pelo resto da vida, para reduzir o risco de infecções pós-operatórias.

Os dentistas dizem que precisam ser informados de todos os medicamentos, suplementos ou remédios sem receita que os pacientes estão ingerindo. Os anticoagulantes podem causar sangramento bucal excessivo. Os bifosfonatos, geralmente receitados para a osteoporose, podem enfraquecer severamente os ossos da face. Ambos devem ser interrompidos temporariamente antes de qualquer cirurgia bucal.

Remédios contra a hipertensão, bloqueadores de canal de cálcio e alguns anti-inflamatários podem causar úlceras dolorosas na gengiva. Muitos medicamentos, de antidepressivos a quimioterápicos, causam boca seca, o que eleva substancialmente a possibilidade de cárie, já que a saliva geralmente age como uma camada protetora nos dentes. Aplicações adicionais com flúor também podem ajudar.

Alguns dentistas mais proativos têm monitores de glicose para checar o nível de açúcar no sangue se suspeitarem que o paciente seja diabético. Alguns também tiram a pressão dos pacientes e evitam procedimentos invasivos se ela estiver alta demais.

Os Centros para Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos também recomendam que os dentistas ofereçam teste de HIV, porque alguns dos primeiros sintomas surgem na boca, como infecções e lesões causadas por fungos. Os dentistas agora podem fazer o teste de HIV com uma simples raspagem bucal e conseguir o resultado em 20 minutos.

 

Fonte: The Wall Street Journal

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